Marina e Txai Suruí estão entre os vencedores de prêmio que homenageia ativistas


O Prêmio Megafone do Ano terminou hoje (24) de anunciar todos os vencedores de suas 14 categorias. Desde o dia 10, a iniciativa divulgou um premiado por dia em áreas como defesa de povos indígenas, do meio ambiente e da democracia e combate ao racismo. Entre os destaques estão a ministra Marina Silva, que ganhou o “Prêmio do Júri”, que homenageia toda a sua trajetória, e a ativista indígena Txai Suruí, que ganhou novamente o “Megafone do Ano”, que premia algum ativista que tenha se destacado em 2022 – categoria que ela já havia vencido na edição anterior.

Em sua segunda edição, o Megafone do Ano é a primeira premiação destinada a ativistas brasileiros. A iniciativa é coordenada pela organização Megafone Ativismo, junto a uma coalizão formada pelas ONGs Greenpeace Brasil, Pimp My Carroça, WWF Brasil, Engajamundo, Instituto Socioambiental, Hivos e pelo site Sumaúma Jornalismo.

Os anúncios dos vencedores de cada categoria foram feitos pela atriz e humorista Nathalia Cruz no Instagram da premiação. Cada uma das 14 categorias teve 5 indicados, totalizando 70 ativistas de diferentes áreas e origens. Os inscritos vieram de todas regiões do país, sendo 45% deles das regiões Norte e Nordeste. Além da própria inscrição, também havia a possibilidade de inscrever terceiros no prêmio, que posteriormente autorizaram sua participação. 

Os critérios para a escolha dos jurados foram o “impacto na causa ao qual o ativismo se dirige e no debate público sobre o tema”; a “capacidade de transmitir a mensagem de forma criativa e coerente ao tema abordado”; e a “capacidade de informar, mobilizar e inspirar outras pessoas através do ativismo”, segundo regulamento no site da iniciativa. Os vencedores receberão um troféu feito pelo artivista Mundano, fundador da Pimp My Carroça, e um megafone customizado.

Premiados

Txai Suruí durante a exibição do documentário O território, en Nova York. Foto: Bryan Bedder/Getty Images via AFP.

Além de levar o “Megafone do Ano”, Txai Suruí também foi uma das premiadas da categoria “Documentário”, junto com a equipe do filme “O Território”, do qual foi produtora-executiva. A obra retrata a luta dos indígenas uru-eu-wau-wau para proteger suas terras. Samela Sateré-Mawé, também ativista indígena, foi outra bi-campeã: levou pela segunda vez a categoria “Perfil de rede social”. Ela aborda temas como direitos indígenas, questões socioambientais e feminismo.

Na categoria “Cartaz em manifestação”, o premiado foi o ilustrador Cristiano Siqueira, com sua homenagem ao indigenista Bruno Pereira e ao jornalista Dom Phillips, mortos por invasores da Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas.

A categoria “Fotografia”, teve a jornalista Lola Ferreira como vencedora, com seu registro de jovens passageiros de um ônibus indignados com uma motociata bolsonarista, no dia 7 de setembro do ano passado, no Rio de Janeiro.

Já a Coalizão Negra por Direitos foi a premiada da categoria “Marcha ou manifestação de rua”, por organizar protesto contra o assassinato do congolês Moïse Kabagambe, ocorrido também no Rio de Janeiro, em 24 de janeiro do ano passado.

Confira a lista de vencedores de todas as outras categorias:

Ação direta: o premiado é o ato em defesa do rio Arapiuns (PA) feito nas águas, com pequenos barcos comuns na região, chamados de rabetas – uma iniciativa do coletivo Guardiões do Bem Viver, de jovens do PAE Lago Grande. Esta categoria destaca ações ativistas presenciais e diretas, ou seja, que ocupem algum espaço para uma denúncia ou para impedir uma injustiça, por exemplo. Mais da metade (60%) dos finalistas foram das regiões Norte e Nordeste. 

Arte de rua: o premiado desta categoria é o CURA – Circuito Urbano de Arte, um dos maiores festivais de arte pública do Brasil. Esta categoria, que teve 40% de mulheres e 50% de inscritos das regiões Norte e Nordeste entre os finalistas, abrange grafite, lambe-lambe, intervenção, performance, projeção em vídeo ou qualquer outra linguagem artística que tenha acontecido na rua.

Cidadão indignado: o desabafo de Dona Lurdinha sobre um caso de racismo ambiental é o premiado desta categoria, que visa dar visibilidade a desabafos indignados abordando alguma realidade social ou socioambiental brasileira. Todos os finalistas desta categoria eram negros, 80% das regiões Norte e Nordeste e 80% mulheres. 

Jovem ativista: a premiada desta categoria, na qual todas as finalistas eram mulheres, é Vitória Rodrigues, jovem ativista de São João de Meriti, na baixada fluminense, que com apenas 18 anos já escreveu um projeto de lei. 

Música ou clipe: a premiada é o hit das eleições do ano passado: “Tá na Hora do Jair”.

Meme: eleições e política são os temas da maioria dos memes selecionados como finalistas nesta categoria do Prêmio Megafone na qual a dublagem das bolsonaristas em jogral se sagrou vencedora

Reportagem: a premiada nesta categoria é a reportagem em formato de história em quadrinhos da Revista Badaró sobre os constantes ataques contra o povo guarani-kaiowá em Mato Grosso do Sul.



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