5 mitos sobre os abutres

5 mitos sobre os abutres

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Será que conhecem bem os abutres? A Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural selecionou cinco mitos acerca dos abutres:

MITO 1

Os abutres são predadores e atacam animais vivos.

Os abutres não são animais predadores. A sua anatomia (estrutura do corpo) e morfologia (forma) não estão adaptadas para caçar animais vivos. Por exemplo, os abutres possuem movimentos lentos no solo, as suas garras são curtas e não têm força suficiente para imobilizar uma presa em fuga, o seu pescoço é longo e/ou verticalizado, o que o torna menos hábil em terra, e o seu bico, apesar de robusto, não está desenhado para conseguir matar, mas sim para rasgar animais já mortos e comer o maior pedaço de carne possível. Ou seja, morfologicamente e biologicamente, um abutre não se pode comportar como um predador. A dieta dos abutres é baseada essencialmente em carne morta. É muito raro os abutres alimentarem-se de presas vivas. Isso só ocorre de forma excecional em situações de falta de alimento e, mesmo assim, quando acontece, estas aves procuram animais frágeis ou debilitados, que já iriam morrer de qualquer forma.

 

MITO 2

Os abutres atacam animais em trabalho de parto.

Os abutres, por não serem animais predadores, não atacam animais saudáveis em trabalho de parto de forma sistemática. O que ocorre, muitas vezes, é que alguns animais podem ter partos malsucedidos e não acompanhados e, quando isso acontece, os abutres podem aproximar-se para tentar alimentar-se da cria e/ou da progenitora já moribundas/débeis. Os abutres poderão ainda acercar-se de fêmeas parturientes para comerem, após o nascimento da cria, os resíduos do parto, como, por exemplo, a placenta. Atualmente, muitos produtores de gado não estão constantemente a vigiar os seus animais e a acompanhar as fêmeas em trabalho de parto (sobretudo o primeiro parto, normalmente mais difícil), pelo que, quando encontram um animal morto e veem abutres à sua volta, afirmam, erradamente, que foram estas aves que o mataram. Na grande maioria dos casos, esses animais morreram de outras causas, como partos complicados ou ataques de animais assilvestrados ou selvagens, e os abutres só apareceram posteriormente para se alimentarem, dando a falsa ideia de que os teriam predado. Na esmagadora maioria dos casos relatados de alegados ataques de abutres a animais em trabalho de parto, ficou provado, após análise por parte de peritos, que não foram estas aves a causa da morte dos animais.

 

MITO 3

Os abutres agem em bando para atacar presas vivas.

Os abutres, apesar de, muitas vezes, se alimentarem em bando, não atuam de forma coordenada/estratégica em bando para atacar presas vivas, visto que não são aves predadoras, nem possuem habilidades para tal. Normalmente, quando uma carcaça ou um animal moribundo é detetado por um abutre, atrai a atenção de outros, que, através da sua excelente visão, identificam o local e juntam-se a este para comerem diferentes partes de animais mortos/débeis. Excecionalmente, devido à falta de alimento, os abutres podem tentar alimentar-se de animais moribundos ainda vivos. Quando isso ocorre, o facto de um abutre estar próximo de um animal em terra, faz com que outras aves se juntem a este, dando a falsa impressão de que estariam a agir em conjunto para o matar.

 

MITO 4

Os abutres são atraídos pelo cheiro a sangue.

Os abutres do “Velho Mundo” (Europa, Ásia e África) têm uma capacidade olfativa muito reduzida, ou seja, não apresentam aptidão para detetar odores, seja de carne morta, sangue ou outros cheiros. Os abutres do “Velho Mundo” localizam o seu alimento através da sua excelente visão.

 

MITO 5

Os abutres transmitem doenças para outros animais.

Os abutres não transmitem doenças para outros animais, pelo contrário, são fundamentais para combater a propagação de doenças contagiosas entre a fauna silvestre e doméstica. Os abutres têm um organismo adaptado, que permite que sejam imunes a muitos agentes causadores de doenças, como bactérias e vírus. O estômago de um abutre é, no mínimo, 10 vezes mais ácido do que o de um humano, por isso, é capaz de eliminar com eficácia uma grande quantidade de agentes patogénicos causadores de doenças como o botulismo, peste suína e anthrax. Estas espécies cumprem, desta forma, uma função essencial e contribuem para o equilíbrio dos vários ecossistemas, visto que, ao consumirem animais mortos, eliminam, de forma rápida e eficaz, as carcaças desses animais no campo, evitando, assim, a propagação de doenças contagiosas e assegurando o bom funcionamento da rede alimentar na Natureza.

Foto: Pedro Rego









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