Três em cada quatro brasileiros dizem se preocupar com as mudanças do clima, mostra pesquisa


O número de brasileiros que se dizem preocupados com as mudanças climáticas diminuiu nos últimos anos, mas ainda é uma porcentagem expressiva da população: 79% em 2022. No ano anterior, esse número era de 87%. Os dados fazem parte de uma pesquisa de percepção dos brasileiros sobre o tema das mudanças climáticas, realizada pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS), em parceria com o Programa de Comunicação das Mudanças Climáticas da Universidade de Yale (EUA). O trabalho foi divulgado nesta sexta-feira (16).

Segundo o documento, 52% dos entrevistados se disseram “muito preocupados” e 27% “de alguma forma preocupado”. Do total da população, 20% disse que não está “muito preocupado” ou “nem um pouco preocupado”.

O Brasil ainda apresenta uma boa posição quando comparado com outros grandes emissores de gases estufa. Nos Estados Unidos, por exemplo, apenas 27% disseram estar “muito preocupados” e 37% “de alguma forma preocupado”. Cerca de um quarto da população americana não se preocupa de nenhuma forma com o tema.

A pesquisa também mostrou que 94% dos brasileiros – 196 milhões de pessoas – responderam que acreditam que  aquecimento global e mudanças climáticas esteja acontecendo.

Novamente, quando comparado com os Estados Unidos, o cenário do Brasil é positivo: 70% dos americanos dizem acreditar. “Esse é um padrão que vem se repetindo de novo e de novo”, diz Anthony Leiserowitz, diretor do Programa em Mudanças Climáticas da Universidade de Yale.

O trabalho também mostrou que 74% dos brasileiros disseram haver concordância na Ciência sobre a existência das mudanças climáticas. Nos Estados Unidos essa porcentagem é de 58%.

No Brasil, a porcentagem de pessoas que acredita que as mudanças climáticas vão prejudicar as futuras gerações é alta: 87% da população. Nos Estados Unidos, o número é de 53%.

A pesquisa também mostrou que 74% dos brasileiros consideram mais importante proteger o meio ambiente, mesmo que isso signifique menos crescimento econômico e menos empregos (era 77% nos dois anos anteriores da pesquisa). 

Por outro lado, 17% consideram mais importante a geração de empregos, mesmo que isso prejudique o meio ambiente – era 14% em 2020 e 13% em 2021).

“Essa pesquisa é fabulosa para a gente entender, medir a temperatura, de como a sociedade brasileira tem a percepção dos temas que são tão caros para nós como mudanças do clima. É a partir disso que a gente tem que monitorar e assegurar se as nossas políticas públicas respondem aos anseios do que a sociedade está pautando”, disse a Secretária Nacional de Mudanças do Clima do MMA, Ana Tori, durante a apresentação dos resultados.

Esta é a terceira edição do levantamento, que, entre novembro de 2022 e janeiro de 2023, ouviu 2.600 pessoas com 18 anos ou mais. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com um nível de confiança de 95%.

Copo meio vazio

Se por um lado a pesquisa revelou que a maioria da população do Brasil acredita e se preocupa com o tema, cerca de 10 milhões de brasileiros (5%) não acreditam em aquecimento global ou mudanças climáticas.

Nos Estados Unidos, 16% da população – cerca de 54 milhões de pessoas – negam que o aquecimento global esteja ocorrendo.

Além disso, 12% dos brasileiros – 24 milhões de pessoas – também não acreditam que o aquecimento global é causado pelas atividades humanas. Nos Estados Unidos, essa porcentagem é de 27% – 91 milhões de pessoas.

Outro número apresentado no trabalho é o daqueles que se dizem conhecedores do tema: apenas 22% disse saber muito sobre mudanças climáticas e aquecimento global

Segundo Hugo Mendes, analista do MMA, os dados da pesquisa serão incorporados neste e outras políticas voltadas para o tema dentro do novo governo. 

O Plano Nacional de Adaptação às Mudanças Climáticas – peça chave no enfrentamento do problema e que foi paralisado durante o governo Bolsonaro – passa atualmente por revisão. 

São esperadas três fases desse processo, diz o analista, sendo a segunda, com um diagnóstico do cenário brasileiro, a ser finalizada antes da Conferência do Clima em dezembro próximo. Em 2024, a terceira fase, de maior detalhamento dos diferentes módulos do plano, será finalizada.



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