Bichos, plantas e histórias que não contaram para você | Episódio 2 | A árvore que sobreviveu ao Brasil


Transcrição

Bichos, Plantas e Histórias que não contaram para você

Episódio 02 | A árvore que sobreviveu ao Brasil

Locutora: “Um dos primeiros atos dos marinheiros portugueses que, a 22 de abril de 1500, alcançaram a costa sobrecarregada de floresta do continente sul-americano nos 17 graus de latitude sul, foi derrubar uma árvore.” 

“Os indígenas, que inocentemente se irmanaram com eles naquela praia, não faziam idéia, tal como as árvores às suas costas, da destruição que essa invasão causaria.”

“Essa nau mensageira, ou talvez a expedição seguinte, em 1501, foi a primeira a carregar amostras do primeiro dos tesouros florestais do Brasil. Tratava-se de uma madeira corante chamada ibirapitanga – árvore vermelha – pelos tupis, que com ela coloriam suas fibras de algodão. Os portugueses a chamavam de pau-brasil, provavelmente a partir de brasa. No primeiro corte, o cerne do tronco exibe um brilho dourado e depois se torna vermelho alaranjado brilhante. Quando mergulhado em água imediatamente torna-se violeta avermelhado.”

Rafael Ferreira: Isso que você acabou de ouvir é um trecho do livro “A ferro e fogo”, do historiador norte-americano Warren Dean.

Duda Menegassi: Ele foi publicado em 1996 pela Companhia das Letras e eu super recomendo!

Rafael Ferreira: O livro conta a história da devastação da Mata Atlântica brasileira e, no capítulo 3 — de onde puxamos esses trechos —, vocês devem ter notado que o autor fala da ibirapitanga, a árvore que chamamos de pau-brasil.

A gente aprende já no colégio que, naquela época, havia uma grande demanda por corantes e tintas e, por isso, essa árvore única foi o primeiro objeto de cobiça dos portugueses. Todo mundo lembra disso, né?

Mas o que talvez escape é o fato de que a extração do pau-brasil foi o ponto de partida de um processo de devastação que não cessou. Como ouvimos na abertura do episódio, a primeira coisa que os portugueses fizeram quando chegaram aqui foi derrubar uma árvore. Foi o ponto de partida do desmatamento no Brasil.

Duda Menegasi: Para você ter uma ideia, apenas no primeiro século da chegada dos portugueses, aproximadamente dois milhões de árvores foram derrubadas, afetando uma área de seis mil quilômetros quadrados de Mata Atlântica. É muita floresta. É o mesmo que botar abaixo cinco cidades do Rio de Janeiro. 

E esse foi só o início.

Começou em 1500, com a exploração do pau-brasil, mas a partir daí, o desmatamento da Mata Atlântica prosseguiria durante os ciclos da cana-de-açúcar, do ouro, da produção de carvão vegetal, da extração de madeira, da plantação de cafezais e pastagens, da produção de papel e celulose, do estabelecimento de assentamentos de colonos, da construção de rodovias e barragens, e da intensa urbanização, com o surgimento das grandes capitais do país, como São Paulo e Rio de Janeiro.

A exploração da floresta foi tanta, que hoje, cinco séculos depois, só encontramos cerca de 12% da cobertura original, de acordo com o levantamento mais recente da SOS Mata Atlântica.

Rafael Ferreira: Depois de tanta destruição, parece improvável que alguma dessas valiosas árvores que dão nome ao país tenha escapado. Mas, contra todas as probabilidades, pesquisadores no sul da Bahia descobriram e registraram um pau-brasil tão grande que, segundo estimativas, deve ter 600 anos de idade. Com sete metros e 13 centímetros de circunferência, é o maior do país. Não à toa, afinal, teve tempo para crescer em paz.

Você está ouvindo “Bichos, plantas e histórias que não contaram para você”, um podcast do site ((o))eco de jornalismo ambiental. 

Nessa temporada, em seis episódios, a gente traz alguns dos principais temas da   conservação da natureza no Brasil. 

Eu sou o Rafael Ferreira.

Duda Menegassi: Eu sou a Duda Menegassi

No episódio de hoje, “A árvore que sobreviveu ao Brasil”.

A Mata Atlântica já foi uma enorme faixa verde que se estendia por aproximadamente um milhão e 300 mil quilômetros quadrados na região costeira do Brasil. Ela cobria completamente 17 estados: desde o Ceará até o Rio Grande do Sul. Mas mesmo quando era abundante, encontrar uma árvore de pau-brasil no meio da mata sempre foi um desafio, porque algumas características particulares, como veremos na daqui a pouquinho, faziam com que fosse difícil de encontrar. Então, sem o conhecimento tradicional dos povos indígenas, os invasores portugueses certamente não teriam sido bem sucedidos na empreitada.

Hoje, depois dos séculos de exploração, a Mata resiste em fragmentos de vegetação ao longo dessa região. E, claro, encontrar um pau-brasil na natureza ficou ainda mais difícil. Para conhecer a árvore, só mesmo se embrenhando em algum trecho remanescente – e olhe lá! Mas com muita sorte e um mateiro experiente, como vamos ver daqui a pouco, ainda é possível encontrar um ou outro exemplar selvagem de pau-brasil. Outra alternativa é visitar o Jardim Botânico.

Rafael Ferreira: Eu estou aqui no Jardim Botânico do Rio de Janeiro para um passeio, para uma conversa com o pesquisador Haroldo Lima, especialista no personagem deste nosso episódio, que é o pau-brasil./

Haroldo Lima: Muito prazer estar aqui conversando com você, Rafael, e o interesse de vocês pelo Jardim Botânico, especialmente sobre o pau-brasil. 

Duda Menegassi: O Jardim Botânico do Rio de Janeiro foi inaugurado no início do século XIX, em 1808, por Dom João VI, como um jardim para aclimatação e cultivo de especiarias de interesse da família real espécies vegetais originárias de outras partes do mundo eram guardadas ali enquanto que ao redor a mata Nativa era aposta abaixo para exploração de madeiras nobres e também para dar espaço a urbanização hoje mais de 200 anos de transformação, depois esse mesmo Jardim Botânico é um centro de pesquisa e um Guardião de raros exemplares da flora brasileira inclusive ainda.

O Jardim Botânico do Rio de Janeiro foi inaugurado no início do século 19, em 1808, por Dom João Sexto, como um jardim para aclimatação e cultivo de especiarias de interesse da família real. Espécies vegetais originárias de outras partes do mundo eram guardadas ali, enquanto que, ao redor, a mata nativa era posta abaixo para exploração de madeiras nobres e também para dar espaço à urbanização. Hoje, mais de duzentos anos de transformações depois, esse mesmo jardim botânico é um centro de pesquisa e um guardião de raros exemplares da flora brasileira, inclusive da mais nativa de todas as nossas espécies de árvores.

Haroldo Lima: … andava pela Mata Atlântica e trazia as sementes, trazia as plantas, então aqui nós temos um grande mostruário. E, evidentemente, que isso hoje tem um sentido muito forte de mostrar para as pessoas porque muitas dessas espécies estão ameaçadas de extinção, como o pau-brasil. Então, o Jardim tem uma tradição de mais de 40 anos de estudos de pau-brasil.

Rafael Ferreira: Como o Haroldo falou, o Jardim Botânico é um mostruário. Ele guarda exemplares dos mais diversos tamanhos e tipos de pau-brasil. Sim, há diferentes tipos de pau-brasil e eles são diferenciados pelo tamanho das folhas. São três tipos, mais precisamente. Têm o pau-brasil-folha-de-arruda, que é o mais comum e pode ser visto do Rio Grande do Norte até o Rio de Janeiro. Tem o pau-brasil-folha-de-café, exclusivo do Espírito Santo. E o pau-brasil-folha-de-laranja, que só é encontrado no sul da Bahia.

Haroldo Lima: Essa característica do solo aqui é bem parecida com a área natural do pau-brasil. Porque o pau-brasil ocorria ao longo de toda a Mata Atlântica, nas encostas, nas montanhas. Ele é típico de uma vegetação litorânea, logo depois da restinga, que é mais seca e sobre solos ali no entorno dos afloramentos. Ele não ocorre nessa floresta úmida, que nós chamamos de Mata Atlântica úmida. Ele é de uma mata relictual mais seca que ocorre nos terrenos mais arenosos e mais de baixadas, junto à planície, junto ao litoral.

Foi por isso que a gente demorou a encontrar o pau-brasil na natureza: porque a gente ficava procurando para o pau-brasil nas matas grandes e não encontrava. Aí a gente começou: “não, ele é de um ambiente muito específico.“

Rafael Ferreira: Mas isso pode se dizer de todos os tipos, ou só do tipo carioca? 

Haroldo Lima: Não, de todos os tipos de pau-brasil. Porque, hoje a gente tem estudos das linhagens de pau-brasil e hoje a gente tem uma técnica, através do DNA, das sequências gênicas, de medir a idade da linhagem. A gente já sabe que a linhagem do pau-brasil é muito antiga. É anterior a essa mata mais úmida. Então ele era de uma mata anterior a essa mata mais úmida, que era mais seca, num período que era frio e seco. Essa mata de pau-brasil era amplamente distribuída.

Com esse período, que nós estamos agora, que chamamos de período interglacial, que é o período que fica entre uma glaciação e outra, ele é mais quente e úmido. E aí essa floresta mais úmida toma lugar dessa floresta mais seca (…) e o pau-brasil fica relictual, distribuído só nesses cantinhos. Ele fica lá quietinho, esperando uma situação melhor pra ele se expandir. Mas ele não consegue competir com essas espécies de floresta úmida.

Rafael Ferreira: O imaginário que a gente tem é de que tinha pau-brasil em todo lugar. Que, quando os portugueses chegaram aqui, davam dois passos e esbarravam num pau-brasil.

Haroldo Lima: Por isso que, nessa história da exploração do pau-brasil, foi muito importante o conhecimento tradicional. Sem esse conhecimento que os povos originários tinham do pau-brasil… 

Rafael Ferreira: Isso com certeza. Sem eles não teriam encontrado. 

Haroldo Lima: Porque não era uma espécie que [bastava] entrar na mata e encontrar para o pau-brasil. Não era assim. Nós sofremos esse mesmo problema: fomos para a mata encontrar o pau-brasil. Não encontramos. Só depois que nós descobrimos esse ambiente específico que ficou muito mais fácil… 

Rafael Ferreira: Árvores com 20 anos de idade, com 60 anos, e há as mais velhas que chegam a cerca de 150. São árvores que conseguiram atingir essas marcas por terem sido plantadas em um ambiente controlado, e terão oportunidade de chegar ao potencial máximo de sua espécie, cerca de 800 anos, Isso enquanto o jardim existir.

Em função da contínua história de exploração da ibirapitanga, ainda hoje predada para a confecção de instrumentos musicais, essa longevidade é rara. Ou seja, não é garantida para árvores no meio selvagem. 

Duda Menegassi: Por isso a história que vamos contar agora é tão especial.

Ricardo Cardim: De repente, aparece encostado numa vertente o pau-brasil, como se fosse uma árvore de duendes, eu brinco. Porque é uma árvore daqueles daqueles contos europeus de fadas. Era toda retorcida, cheia de nódulos, muito grande, raízes muito grandes, e que se erguiam para cima, para o céu. Uma árvore de proporções totalmente inimagináveis para a espécie pau-brasil. Eu nunca tinha visto nada parecido. A árvore que era, até então, considerada a maior, parecia apenas uma filha dessa árvore ancestral. Porque a árvore, assim como nós, ela também acumula, no seu corpo, marcas da idade. É muito interessante: algumas espécies ficam muito caracterizadas com essa questão de sulcos, nódulos retorcidos que trazem essa feição da idade, e essa árvore, ela é cheia disso. E, um diâmetro muito grande, uma ocupação de área muito grande, aparentando muito vigor, muita vitalidade.

Duda Menegassi: Esse é o botânico Ricardo Cardim, personagem importante da história que a gente vai contar agora. Ele fala aqui daquela que pode ser a maior árvore de pau-brasil existente hoje no país.

Rafael Ferreira: No sul da Bahia, no município de Itamaraju, fica o Assentamento do Movimento dos Sem Terra Pau-Brasil — olha só a coincidência. Ali, as pessoas vivem do cacau, que é plantado em sistema de cabruca, um sistema agroflorestal em que as árvores – principalmente as maiores – são mantidas de pé para dar sombra e abrigo aos pés de cacau. Exemplo, aliás, de como a floresta pode conviver ao lado da produção agrícola.

Duda Menegassi: Essa concentração de árvores altas chamou a atenção do Ricardo Cardim, que foi parar no assentamento pela primeira vez em 2018. A visita se deu através do projeto Grandes Árvores da Mata Atlântica, uma iniciativa dele e do empresário Alex Vicintin, que percorreu seis estados do bioma em expedições que buscavam trechos originais da floresta e suas árvores centenárias.

Lá, eles documentaram aquele que seria o maior pau-brasil até então, conhecido pelos moradores do assentamento como “Rei”, um gigante com cerca de 4 metros de circunferência. Naquele mesmo ano de 2018, o Ricardo lançou o livro de fotografias “Remanescentes da Mata Atlântica”, que trazia nas páginas o impressionante “monarca soberano”.

Rafael Ferreira: Mas ele estava a ponto de perder a coroa. 

Ricardo ouviu a lenda local de que existiria outro pau-brasil gigante na região. Um pau-brasil ainda maior que o “Rei”. 

Ricardo Cardim: E aí, junto com o guia nosso, que era Uanderson — Uanderson é o guia que mora lá em Itamaraju, no assentamento e tudo mais — , ele comentou que existia um pau-brasil que, parece, [seria] maior do que aquele que todo mundo conhecia. E que só quem sabia era um senhor, uma pessoa de idade ali da comunidade, que tinha encontrado essa árvore na floresta, mas não dizia para ninguém onde estava a árvore por receio de que cortassem, roubassem a árvore.  A gente tentou com o Uanderson, ver. Não conseguimos realmente retorno sobre isso. O Uanderson ficou de ver. 

Duda Menegassi: Já era dezembro de 2020 e depois de alguns meses sem notícias, Alex se preparava para retornar para o assentamento, quando recebeu a mensagem de Uanderson que dizia “Achamos!”, acompanhada de algumas fotos do gigante.

Alex Vicintin: A descoberta do pau-brasil gigante só aconteceu por causa da comunidade dos assentados do Assentamento Pau-brasil. E por quê? Porque foram eles que inicialmente descobriram essa árvore. Aproximadamente 20 anos atrás, só havia como se fosse uma lenda de que ela existia e nunca tinha sido feito nenhum trabalho para resgatar e localizar essa planta novamente. 

Duda Menegassi: O Alex me contou que, mesmo acostumado a documentar árvores gigantes, o colosso no interior da Bahia, cheio de rugas e de um feição envelhecida, surpreendeu.

Alex Vincintin: O pau-brasil mais antigo plantado que eu já vi é uma planta de mais ou menos 200 anos, também ali na Bahia. E essa é cinco, oito vezes maior. Então, por isso, que a gente estimou na época, uma idade de mais ou menos 600 anos. Mas, assim, pode ser que a gente esteja errado e a idade seja, de fato, muito muito maior. 

O ideal seria fazer um conduzir um estudo de carbono 14, extraindo um pedaço do cerne dessa árvore, para que assim a gente tenha de fato uma noção da idade mais aproximada dessa árvore. Mas uma coisa é certa: ela é uma árvore muito, muito antiga e com certeza ela viu o Cabral chegar por essas terras e devastar, e dar início à devastação da Mata Atlântica.

Ricardo Cardim: Então foi uma surpresa enorme encontrar essa árvore no meio da floresta, ali. E o mais legal é que se você continuar subindo morro você enxerga o Monte Pascoal. Itamaraju fica do lado do Monte Pascoal. Do lado da BR 101, que foi o vetor de destruição da Mata Atlântica nos anos 70, daquelas estradas do milagre econômico. E mais incrível é que essa árvore está a poucos quilômetros do sítio do descobrimento do Brasil. 

Como é que sobrou essa árvore ali? Uma árvore deste tamanho, que é o maior pau-brasil hoje vivo no bioma inteiro, e está justamente do lado da onde começa a destruição dos portugueses, da invasão portuguesa.Então é muito impressionante. É uma árvore que é um monumento nacional, sem dúvida. Ela deveria, eu brinco, ter lojinha de souvenir do lado. 

E é muito importante ressaltar que hoje ela é preservada pelo Assentamento. 

Rafael Ferreira: Como a árvore está dentro do território do assentamento, existe a preocupação dos locais em manter aquele pau-brasil de pé, especialmente agora que ele não é mais uma lenda.

Há um enorme potencial turístico em proteger o maior e mais velho pau-brasil do país. Um potencial que pode ajudar tanto a comunidade que vive no assentamento, quanto a preservação da árvore e de toda a floresta remanescente.

Atualmente, a comunidade já está aberta ao turismo, mas a atividade não é feita de forma estruturada e não recebe muitos visitantes.

Alex Vicintin: O que fazer com essa informação: divulgamos ou não divulgamos? A gente acabou decidindo divulgar, porque uma árvore como essa mostra o que era a floresta, a Mata Atlântica, original. Mostra a grandiosidade das árvores e o tamanho da riqueza que havia naquela região antes da devastação, antes da exploração madeireira desenfreada que aconteceu, principalmente, a partir da década de 70. Então a gente optou… a gente achou por certo fazer a divulgação porque a gente só protege e valoriza aquilo que a gente conhece. Então não tinha como garantir que essa planta não ia ser derrubada, alguma coisa nesse sentido, se a gente não divulgasse, se o mundo não tivesse conhecimento de que existe sim uma planta, que deu nome pro nosso país e que é um ancião da floresta.

Haroldo Lima: Ele tem uma história que canta né? A história do pau-brasil tanto como história biográfica, como é que uma planta se estabelece nas regiões neotropicais, nos trópicos, como é que ela começou, na medida que a vegetação,  na medida que a fauna e a flora mudava nas centenas de milhares de ano. Como é que essa espécie foi se adaptando, foi mudando? Então é uma história que conta a história da Mata Atlântica, a gente pode dizer que a história do pau-brasil pode contar o que que aconteceu na Mata Atlântica, durante esses bilhões de anos que essa floresta tá aí e isso é o que a gente precisa encontrar, a ciência precisa encontrar um “protagonista” para poder contar, decodificar essa história científica que muitas vezes os trabalhos científicos são muito duros, com uma linguagem muito específica e muitas vezes não atingem grandes públicos. O pau-brasil se mostrou uma história encantadora para explicar melhor a Mata Atlântica, explicar melhor por que uma espécie está ameaçada de extinção. Quais são as estratégias que você tem que desenvolver para fazer uma espécie sobreviver todo esse Impacto de cinco séculos na costa brasileira. Então ela é esse protagonista que se mostra perfeitamente adaptável a qualquer momento da história brasileira. Os povos originários, porque eles já conheciam o pau-brasil, depois que os portugueses chegaram por aqui, o que é que aconteceu e hoje com essa pressão muito grande que tem ainda em cima da Mata Atlântica.

Duda Menegassi: Lá no início do episódio a gente falou que aprende nas aulas de História, ainda criança, o motivo dos portugueses cobiçarem essa árvore a ponto de ela nos dar o nome e em certa medida a identidade de uma imensidão de verde, mas em algum momento da vida dos brasileiros, ela encolhe e vira só tinta no papel, memória, tanto que é possível dizer que a maioria dos brasileiros talvez nunca tenha visto um pau-brasil.

Rafael Ferreira: Eu vi. Eu vim um pau-brasil de 150 anos no Jardim Botânico, um dos únicos lugares onde é possível encontrar essas árvores para quem não quer se embrenhar no mato, numa expedição como o Ricardo e o Alex fizeram. Era uma árvore alta, bem alta, com muitos galhos e no fim desses galhos, folhas bem pequenininhas que cabem na palma da sua mão, folhas de arruda, que é o tipo que tem aqui no Rio de Janeiro. E os galhos se estendiam por alguns métodos partindo dessa base longa e, claro, um tom avermelhado no tronco que remete ao vermelho da seiva dessa árvore. Bem impressionante, mas imagina como seria encontrar uma árvore de 600 anos, como fizeram Ricardo e Alex.

Duda Menegassi: Esse pau brasil do Jardim Botânico, que o Rafael acabou de descrever, pode parecer menos importante se comparado ao personagem da nossa história, que é um sobrevivente de 600 anos, mas não é, ele também é um sobrevivente, já que sobraram tão poucos exemplares da árvore em florestas. Mas mesmo com esse cenário um pouco triste, de um passado com tanta devastação e um presente que talvez seja um pouco desesperançoso, eu torço para que essa árvore, esse pau brasil, seja testemunha de uma nova história para a Mata Atlântica. Uma história marcada pela proteção do pouco que restou e pela restauração de parte daquilo que foi perdido.

Rafael Ferreira: Esse foi o segundo episódio de bichos plantas e histórias que não contaram para você podcast do site o eco de jornalismo ambiental. No próximo episódio, a gente vai contar uma história que não é nova: europeus invadem países em desenvolvimento e levam os seus tesouros. Esse roubo não está restrito a metais preciosos e madeiras nobres, nem limitada ao período de colonização. A ciência também é palco dessa lógica colonialista, como bem ilustra o caso Ubirajara, o fóssil único de um dinossauro brasileiro que foi levado ilegalmente para um museu alemão.

Esse podcast teve o apoio do programa Acelerando a Transformação Digital do Meta Journalism em parceria com o centro internacional para jornalistas (ICFJ, em inglês) e Associação de jornalismo digital (AJOR). Bichos, plantas e histórias que não contaram para você, tem produção da Todavos e do ((o))eco. Acesse o nosso site o eco.org.br. e clicando na página especiais, você tem acesso a todas as informações sobre o projeto além de conteúdos adicionais sobre cada um dos episódios.

Este episódio foi baseado na reportagem original “Pau Brasil com mais de 600 anos é descoberto no Jardim Botânico do Rio de Janeiro”, escrita pela Duda Menegassi que você pode ler lá no site. 

Este  episódio  teve  pesquisa, roteiro e apresentação da Duda Menegassi e minha, Rafael Ferreira.

As externas foram gravadas no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

A consultoria em roteiro e revisão final são da Geórgia Santos e foi ela que leu a passagem do livro lá no início do episódio.

A montagem, sonorização e finalização são do Douglas Weber.

A música original é de Gustavo Finkler.

A estratégia de promoção, distribuição nas redes e conteúdo digital é de Milena Giacomini e da Gabriela Güllich, que também assina a identidade visual.

A idealização, coordenação e execução  financeira  do  projeto são do Paulo André Vieira.

A gente agradece ao Alex Vicentin, Ricardo Cardim, Haroldo Cavalcante de Lima, à equipe da Assessoria de Comunicação Social do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Thiago Reis, Ale Potaschef, José Orenstein, Felipe Seibel, Rodrigo Alves, Mônica Aquino, / Bruna Borjaille, Alison Grausam e Thayane Guimarães, do Centro Internacional para Jornalistas, Maia Fortes e todos os colegas da Ajor, e à toda a equipe de ((o))eco

Duda Menegassi: Se você gostou desse episódio e está curtindo o nosso trabalho, acesse oeco.org.br e saiba como virar um apoiador do jornalismo ambiental independente.



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