Onça-pintada é encontrada sem cabeça no Pantanal


Uma onça-pintada (Panthera onca) foi encontrada morta no rio Paraguai-Mirim, entre Corumbá e Ladário, em Mato Grosso do Sul. O animal estava decapitado. Uma perícia para identificar as causas da morte será feita pela Polícia Federal (PF), mas são grandes as chances de que o episódio tenha sido provocado pela ação humana.

A ((o))eco, o subtenente da Polícia Militar Ambiental (PMA) em Corumbá (MS), José Borges de Medeiros, conta que até onde ele sabe essa é a primeira vez que a instituição registra um caso desse tipo na região. “Já teve vários casos no rio Paraguai, [mas] sempre encontrava o animal com alguma perfuração, faltando uma parte é a primeira vez”, diz Borges, que nesta sexta-feira (17) está acompanhando a PF até o Paraguai-Mirim, onde deve ser feita a perícia no corpo do animal. 

A julgar pelo estado em que foi encontrado nesta quinta-feira (16), o animal já estava morto há pelo menos três dias, acredita ele. “Outros casos que a gente já atendeu aqui, geralmente é abatido a tiro. Mas a gente acredita que [esse caso] também é ação humana”, explica Medeiros. “Algum curioso pode ter visto ela rodando [depois de morta] e ter tirado a cabeça. Isso são hipóteses”, conclui o subtenente. 

À mídia local, o Instituto Homem Pantaneiro (IHP) também disse acreditar na possibilidade de que o animal tenha sido abatido por humanos. A organização ainda explicou que a parte do pelo caindo, observado nas imagens do corpo da onça-pintada, ocorre por conta do processo de decomposição na água. 

Entre a bala e a estrada 

Além da morte por projétil, os atropelamentos na BR-262, entre Miranda (MS) e Corumbá (MS), também figuram como riscos à onça-pintada. Como mostrou ((o))eco, já no começo desse ano um animal foi encontrado morto nesta rodovia, que também é conhecida como “rodovia da morte”. 

Entre 2016 e janeiro de 2023, pelo menos 17 felinos morreram atropelados na BR-162, segundo levantamento do IHP, que também já prestou apoio a PMA e PF no atendimento de pelo menos cinco ocorrências envolvendo a morte do animal por arma de fogo. 

Em alguns casos, as balas são encontradas no corpo do animal, mas em outros não, restando apenas a perfuração. “A localização da bala representa uma prova para as autoridades policiais e judiciárias”, diz o IHP, por meio de nota enviada a ((o))eco. 

Para Diego Vianna, médico veterinário do IHP, o cenário enfatiza a importância da fiscalização e da conscientização da população. “Além de ser um crime ambiental, afeta negativamente a imagem do Pantanal […] que vem crescendo cada vez mais como um atrativo turístico mundial”, comenta ele ao mencionar o turismo de observação da onça-pintada, que integra o rol de atividades econômicas no bioma.



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